Manifesto

Se o homem não veio do barro e a mulher de sua costela, e se aquilo que nos animou não foi um sopro divino, devemos ser fruto da evolução biológica de alguma outra espécie, considerando que a espécie humana nem sempre existiu.

Para a ciência, a evolução das espécies é um fato, porém ela não é uma unanimidade na sociedade, há os que a negam por uma arrogante incapacidade de assumir a essência animal dos seres humanos, outros a repugnam por considerarem uma afronta à suposta divindade da criação universal.

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Estes questionamentos acompanham a história da humanidade…
Também nos perguntamos: o que estamos fazendo aqui? E, talvez, o mais importante dos questionamentos: por que estamos fazendo assim?

A filosofia não desvendou todos os mistérios existentes entre o céu e a terra e, segundo Shakespeare, vai desvendar nem tão cedo.

Diante de tantos questionamentos pairando sobre nossas glândulas pineais, talvez seja aceitável que algumas respostas estejam além do nosso entendimento, talvez alguns enigmas existenciais não possam ser decifrados por estarem além da nossa inerente natureza.

No entanto, alguns desses enigmas podem estar “aquém” do nosso entendimento, da nossa “inerente” natureza, visualizando este entendimento de forma estruturalmente não-linear, anulando qualquer parâmetro comparativo ao conceito de “aquém” no que diz respeito a “mais” ou “menos” e se concentrando em “antes” e depois”.

A cena clássica do filme “2001: Uma odisséia no espaço” que mostra um osso arremessado por um macaco se transformar em uma nave espacial simboliza a descoberta da ferramenta, considerado um dos marcos históricos no processo evolutivo dos nossos mais antigos ancestrais ao homem contemporâneo.

Mas, seria realmente a descoberta da ferramenta, a supremacia do macaco¹ sobre as outras espécies, a sua transformação no maior predador da Terra, o aumento da sua massa encefálica e da capacidade cognitiva efetivamente uma evolução?

Seria a conseqüente transformação do planeta em grandes colméias de concreto com jardins de quintal, dentro de uma chaleira repleta de água a ponto de ebulir…

Uma evolução?

Ou seria um retrocesso?

É importante nos perguntarmos isso, vivendo em um mundo que, independente das explicações que a fé ou a razão de cada um alcance, funciona, excluindo a interferência humana, na mais perfeita sincronia que nenhum projeto, de nenhum homem, jamais lograria.
E que, não obstante, se encontra à beira de um colapso.

Queremos ser macacos¹, filosoficamente, buscando um compreendimento que, talvez, não nos seja inerente, mas consideramos que algumas mudanças imperativas não são questão de compreendimento e sim de atitude.

Queremos ser macacos¹, metaforicamente, para tentar resgatar aquilo que a essência animal tem de mais importante e que o homem lamentavelmente perdeu em algum lugar da linha evolutiva: a capacidade de viver em harmonia com a natureza, organismo vivo, ao mesmo tempo o mais simples e o mais complexo ente que se conhece.

Queremos ser macacos¹ para ir além (ou aquém) do que somos enquanto homens.

Sejamos macacos¹!

[1] O termo “macaco” é utilizado aqui por mera simpatia à imagem que ele representa e aos próprios macacos enquanto espécie, enquanto seres vivos que vivem, ao contrário dos homens, em perfeita harmonia com a natureza. No entanto é imprescindível dizer que segundo o evolucionismo, o homem NÃO evoluiu dos macacos, mas sim de um ancestral comum há mais de 20 milhões de anos atrás.

A partir de um ancestral comum, estas duas espécies distintas teriam seguido uma linha evolutiva paralela. Os macacos então, antes de ser nossa origem, são nossos companheiros de trajetória histórica, antes de “pais”, seriam nossos “primos”.

O que levou uma das linhas evolutivas a originar o maior predador da Terra e também a maior ameaça para a sua sobrevivência não se sabe exatamente. O fato é que um ramo da linha evolutiva seguiu seu curso natural, vivendo em harmonia com a natureza e o outro adotou uma forma de vida autodestrutiva e inédita em qualquer ecossistema conhecido.

Deveríamos voltar a essa “esquina” evolutiva e seguir o mesmo caminho que os Macacos!

O “Eu quero ser um macaco” é uma metáfora. Nenhum dos que fazem parte dessa comunidade virtual tem ligação com estudos de Antropologia, Paleontologia e outros estudos da evolução da Terra e da humanidade. Exatamente por isso, recomendamos, para quem tenha interesse em ler sobre o assunto, um excelente site que trata sobre o evolucionismo e apresenta interessantíssimos debates. http://www.evo.bio.br/

Autor: Renan Silva